Devido à situação de pandemia que vivemos, ficámos em casa com as nossas famílias, a tentar manter-nos seguros, saudáveis e esperançosos. Viajar não era recomendado nessa altura, mas para quem ama explorar o mundo, queríamos acreditar que cedo voltaríamos a sair de casa e que seria de novo seguro visitar os nossos lugares preferidos. Por isso, decidimos publicar aqui no Cheese & Wine suites e apartamentos artigos que celebram o amor pela viagem e o amor por Lisboa — para dar aos nossos hóspedes, passados e futuros, algo por que ansiar quando o mundo voltar à normalidade e nos reencontrarmos ao sol de Lisboa.
Quando se fala em city breaks, Lisboa é uma cidade à parte. Oferece tudo o que outras capitais europeias raramente conseguem reunir: sol generoso, bom tempo, uma cidade histórica com uma forma de viver invejável, uma cultura vibrante e praias ali ao lado. É quase impossível visitar Lisboa e não querer voltar. Alguns apaixonam-se tanto que ficam a viver cá!
Mas tal como acontece em qualquer destino, vale sempre a pena chegar com algum conhecimento da cidade para que a visita corra melhor. Lisboa não é excepção. Há muito para fazer e ver, e alguns pormenores culturais que convém conhecer para evitar surpresas. Aqui fica o nosso guia com o que deve saber antes de visitar Lisboa, para viajar com tranquilidade, bom senso e respeito.

1. Saiba qual é a melhor altura do ano para visitar.
O clima de Portugal é reconhecido em toda a Europa pela sua suavidade e temperança, com sol durante grande parte do ano. Mas há estações bem marcadas. A Primavera é fresca e amena, maioritariamente soalheira com algumas chuvaradas ocasionais. O Verão é luminoso, seco e quente — mas não sufocante, graças à brisa do Atlântico que percorre a cidade. O Outono é delicioso, uma óptima altura para quem não aprecia muito o calor. E o Inverno é mais frio e com mais chuva — mas reserva surpresas: há sol em Dezembro e é perfeitamente possível apanhar sol na praia em Fevereiro.
Dito isto, há turistas o ano inteiro, pois Lisboa é muito popular. A época alta vai da Primavera até ao início do Outono. No entanto, visitar no Inverno tem as suas vantagens, sobretudo para quem viaja com orçamento mais controlado: a baixa estação traz preços de alojamento muito mais acessíveis, por vezes metade do que se paga na época alta. A única contrapartida é o tempo imprevisível. Mas a beleza da cidade está sempre garantida!

2. Evite trazer carro para Lisboa.
Se chegar de avião, muito provavelmente não vai precisar de carro: a cidade percorre-se muito bem a pé, os transportes públicos são fiáveis e o Uber está sempre à distância de um toque no telemóvel. Mas se vier de carro, ou estiver a pensar alugar um, pense duas vezes. O trânsito em Lisboa é caótico e encontrar estacionamento é um pesadelo. Nas ruas do centro é quase impossível — ou são reservadas a residentes ou são pagas — pelo que a alternativa são os parques de estacionamento, que custam pelo menos €25 por um dia inteiro.
Recomendamos alugar carro apenas quando tiver passeios planeados fora de Lisboa: é o transporte ideal para explorar a costa de Cascais, a natureza de Sintra, as planícies do Alentejo ou o interior de Portugal.

3. Traga calçado confortável.
Lisboa é uma cidade de sete colinas — e isso significa que os pés vão trabalhar. Esqueça os saltos altos ou as botas elegantes. Calce o par mais confortável que tiver. Lisboa é linda e oferece vistas magníficas, mas para chegar a essas vistas há subidas, escadas e calçada portuguesa. Recomendamos mesmo explorar a pé, porque muita da beleza de Lisboa está escondida em ruelas sinuosas, becos e bairros vibrantes cheios de escadarias. Num dia de sol, é um belo passeio ao ar livre, com muito exercício de brinde! Consulte o nosso guia Cheese & Wine aos bairros de colina: Graça, Alfama e a Sé.

4. Aprenda o básico em português.
Os portugueses são conhecidos pela sua simpatia, hospitalidade e boa vontade — e a maioria fala inglês com os visitantes sem hesitar. Ainda assim, umas palavras em português fazem toda a diferença e rendem sorrisos e uma simpatia genuína por parte de quem cá vive.
Um "Olá" para começar, um "Obrigado" (se for homem) ou "Obrigada" (se for mulher) depois de um favor, e um "De nada" como resposta — já é um bom começo. Um "Por favor" dito com um sorriso abre muitas portas, e um "Desculpe" se esbarrar em alguém é sempre bem recebido. E ao despedir-se, um simples "Adeus" com um aceno faz maravilhas e traz um sorriso à cara das pessoas.
Para os cafés, há alguma terminologia que convém dominar. Peça uma "bica" se quiser um expresso, um "abatanado" para um café comprido tipo americano, um "galão" para café com bastante leite, uma "meia de leite" para um café com leite, um "descafeinado" se preferir sem cafeína, ou simplesmente "chá" se preferir essa alternativa.

5. Cuidado com os carteiristas nos transportes públicos e em locais movimentados.
Como na maioria dos destinos turísticos, infelizmente os furtos por carteirismo existem, e Lisboa não é excepção. São mais frequentes em zonas de grande afluência — eléctricos, outros transportes públicos e pontos turísticos com muita gente. O bom senso é o melhor aliado: não deixe malas abertas, não guarde o telemóvel nem a carteira em bolsos e prefira carregar a mala à frente do corpo, não atrás. Os ladrões são rápidos e discretos.

6. Evite táxis, use Uber.
Num artigo recente sobre como circular em Lisboa, aconselhámos a evitar táxis e a optar pelo Uber. Os táxis têm má reputação por cobrar em excesso e escolher percursos mais longos do que o necessário — acredite na nossa experiência. O Uber é mais seguro, com pagamento digital pelo telemóvel que garante transparência, a possibilidade de acompanhar a rota no mapa e saber o preço antecipadamente. Os motoristas são, na grande maioria, mais simpáticos, falam inglês fluente e garantem um serviço bem mais fiável. Tratámos este tema com mais detalhe no nosso guia prático sobre como circular em Lisboa.

7. Verifique sempre a conta.
Aquele momento em que olha para a conta no final do jantar e o total é superior ao esperado — acontece cá também. Verifique sempre se a conta corresponde ao que pediu. Em Portugal é tradição os restaurantes servirem "entradas" — azeitonas, queijo de cabra, pão — sem que os peça. A regra é: se não tocar, não paga. Ainda assim, confira sempre o talão antes de pagar, para não ser cobrado por aquilo que não consumiu e evitar mal-entendidos e olhares de censura dos empregados de mesa.

8. Reserve mesa, se puder. E leve dinheiro.
Muitos restaurantes e cafés são flexíveis, e alguns nem aceitam reservas — é por ordem de chegada. Mas sempre que puder, reserve. Sugerimos pesquisar no Google Maps, onde normalmente encontra o número de telefone. O Fork e o Zomato também são úteis para reservar online. Ao fim-de-semana os sítios mais populares ficam rapidamente cheios, por isso vale a pena reservar com antecedência.
Se tenciona visitar as tascas locais — os pequenos restaurantes nos bairros — leve dinheiro em notas. Muitos destes sítios têm pouca capacidade digital e não aceitam cartão. Aqui, o dinheiro ainda é rei.

9. Evite as armadilhas para turistas, especialmente na Baixa.
Há muitos locais, sobretudo na Baixa, que se proclamam "autênticos" ou "típicos portugueses" sem o ser. Lojas instaladas em edifícios antigos que se apresentam como centenárias, quando não passam de recriações pensadas para turistas desprevenidos. Pastéis de nata "originais"? Não — os originais são em Belém. Uma lata de sardinhas a €15? Pense bem antes de comprar. Consulte o nosso guia pelos bairros do centro — Baixa e Chiado.

10. Não pague demasiado pela cerveja nem pelo café.
Em Londres, Paris ou Copenhaga, €5 ou €8 por uma cerveja é normal. Em Lisboa, não deve ser assim. A cerveja portuguesa típica — Sagres ou Super Bock — custa entre €1,50 por um imperial (0,33 ml) e €3 a €4 por uma caneca. Salvo se optar por bares de especialidade com cervejas artesanais ou importadas. O mesmo vale para o café: em Lisboa, e em todo o Portugal, o café é acessível. Uma bica custa por norma €1, um abatanado €1,30. Se algum sítio lhe cobrar €3 por um americano ou €4 por um café com leite, está a pagar caro para Lisboa. Nós, que cá vivemos, não achamos que isto se deva normalizar — e o visitante também não devia. Lisboa deve manter-se acessível: faz parte da sua autenticidade e do seu encanto.

11. Tome uma bebida à beira-rio.
Por falar em bebidas, recomendamos vivamente passar algum tempo sentado junto ao rio, com um copo de vinho na mão — ou melhor ainda, um cocktail. A esplanada da Ribeira das Naus é perfeita para isso: à margem do Tejo, entre a Praça do Comércio e o Cais do Sodré. É um sítio muito procurado para apanhar sol em espreguiçadeiras, ou simplesmente observar os veleiros e deixar o olhar perder-se nas águas calmas e azuis do Tejo. Ao pôr-do-sol, há música com DJs a animar o ambiente — o local ideal para um aperitivo e até uma dança ou duas.

12. Veja o pôr-do-sol nos miradouros.
Outro dos prazeres de Lisboa é assistir ao pôr-do-sol nos miradouros que coroam as colinas da cidade. Além das vistas deslumbrantes, há o ambiente especial dos últimos raios de sol a pintar a cidade e o Tejo de cores quentes. Desfrute de um copo de vinho ou cerveja no Miradouro da Graça, ou escute os músicos de rua no ponto mais alto, o Miradouro da Senhora do Monte. Do outro lado do vale fica o recentemente reaberto Miradouro de São Pedro de Alcântara, com um panorama glorioso, e o Miradouro de Santa Catarina, com um ambiente mais descontraído e jovem, onde se bebe e convive enquanto se contempla o brilho do rio. Além dos miradouros, não se esqueça dos muitos rooftop bars e restaurantes da cidade, que oferecem uma experiência igualmente memorável, com vistas românticas sobre Lisboa. Para inspiração sobre as melhores esplanadas e terraços de Lisboa, leia o nosso guia aqui.

13. Perca-se pelas ruas de Alfama.
Diz-se que quem não se perdeu por Alfama ainda não conheceu Lisboa de verdade. As ruas de pedra miúda, os becos estreitos, as muralhas e as escadarias que serpenteiam pelas colinas compõem um bairro que o tempo parece ter poupado. Por isso é tão recomendável explorar o seu labirinto: cada esquina surpreende com pormenor, vivacidade e vida. No Verão, o cheiro das sardinhas assadas mistura-se com música, cantares e dança em honra do Santo António, padroeiro da cidade.

14. Visite os mercados.
Lisboa tem alguns dos mercados mais antigos da Europa — e do mundo. E surpreendentemente, continuam a crescer em popularidade. A Feira da Ladra, por exemplo, remonta ao século XIII e tornou-se uma tradição lisboeta. No Campo de Santa Clara encontra tesouros vintage, bugigangas, roupa em segunda mão, azulejos, obras de arte, livros e muito mais. Acontece às terças e aos sábados, e nunca decepciona.
Ao sábado também vale a pena ir ao Príncipe Real, onde há outro mercado de vintage com artesanato e produtos locais portugueses, além de um mercado biológico com produtos frescos vindos directamente das quintas do país. E não perca o Time Out Market, onde pode provar o melhor da gastronomia lisboeta a qualquer hora do dia ou da noite.

15. Atravesse o rio de barco.
Uma das actividades mais subestimadas em Lisboa é apanhar o barco e atravessar o Tejo. À primeira vista pode não parecer óbvio, mas talvez a melhor vista sobre a linha de horizonte de Lisboa seja a que se tem do outro lado do rio. Aproveite a travessia até Cacilhas, uma pequena vila piscatória com restaurantes rústicos — incluindo o nosso preferido, o Restaurante Ponto Final, onde se come numa esplanada à beira-rio com uma vista marítima absolutamente deslumbrante. É uma experiência que não vai esquecer. Veja o nosso guia em vídeo, onde atravessamos o rio consigo!



