Desde 2014 que recebemos hóspedes em Lisboa — primeiro nas nossas suites em Santos, hoje também em 17 apartamentos turísticos repartidos por cinco bairros históricos. Ao fim de uma década a entregar chaves e a desenhar mapas no balcão da receção, a pergunta que mais ouvimos continua a ser a mesma: "ficámos no bairro certo?"
Este guia é a resposta que daríamos a um amigo. Com uma nota de honestidade à cabeça: somos anfitriões em vários dos bairros que se seguem — dizemos sempre onde estamos e porquê, mas também falamos de zonas onde não temos nada a ganhar. O objetivo é que acerte no bairro; connosco ou não.
Qual é a melhor zona para ficar em Lisboa?
Para a maioria das pessoas, a melhor zona para ficar em Lisboa é o centro histórico — o arco que vai de Santos, junto ao rio, até Alfama, a passar pelo Chiado e pela Baixa. É aí que se chega a pé a quase tudo, com metro, elétricos e comboio à porta. Em resumo:
- Primeira visita: Baixa-Chiado ou a zona da Sé — central, terreno plano q.b., tudo à mão.
- Ambiente de bairro: Alfama ou Santos — vida local verdadeira, cafés com nome próprio.
- Com crianças ou em grupo: Príncipe Real — jardins, espaço, apartamentos grandes.
- As melhores vistas: Graça — miradouros e vida de largo, com as subidas como preço.
- Sossego (e melhor preço): Amoreiras — residencial, a 20 minutos a pé do centro.
O resto do guia explica cada bairro com olhos de quem cá vive — incluindo o que se ouve da janela às 7 da manhã.
Santos — design, rio e a nossa casa-mãe
Santos é o bairro do design de Lisboa: as escolas e os showrooms trouxeram restaurantes e cafés que servem sobretudo quem cá trabalha e vive — o que quer dizer preços mais honestos e menos filas do que na Baixa. Fica entre o rio e a colina da Lapa, a 7 minutos a pé do Cais do Sodré (Time Out Market, comboios para Cascais, metro), com o elétrico na Avenida 24 de Julho e o Museu Nacional de Arte Antiga logo ali, nas Janelas Verdes.

É aqui que estão a nossa receção e as nossas suites — 28 quartos e suites ao estilo de um pequeno hotel boutique de gestão familiar. Se gosta de voltar "a casa" num bairro onde o empregado do café já o cumprimenta ao segundo dia, é este.
Fique em Santos se: quer o rio e a vida noturna do Cais do Sodré por perto — sem dormir em cima dela. Evite se: quer sair do prédio e estar já dentro do postal turístico. Para isso, Alfama.
E a Lapa, mesmo ao lado? É o bairro das embaixadas, elegante e silencioso. Estamos a preparar lá o Hotel LX Lapa, com abertura prevista para 2027.
Alfama — a Lisboa mais antiga (e a mais pedida)
Alfama é o bairro que sobreviveu ao terramoto de 1755, e ainda se percebe: ruelas de traçado mourisco, roupa estendida, fado a sair das casas, os miradouros das Portas do Sol e de Santa Luzia, o Castelo lá em cima. É, de longe, o bairro que os nossos hóspedes mais pedem — em todas as línguas.
A honestidade de anfitrião: Alfama é feita de escadas e calçada. Com malas grandes, mobilidade reduzida ou carrinho de bebé, o encanto pesa — literalmente. E nas noites de fado, ou nos Santos Populares em junho, há vida na rua até tarde. Se isso para si é ambiente e não incómodo, poucas experiências em Lisboa batem acordar aqui.

Temos apartamentos em plena Alfama e na zona da Sé — veja os apartamentos. Para o que ver e comer no bairro, escrevemos um guia dedicado a Graça, Alfama e a zona da Catedral.
Fique em Alfama se: quer a Lisboa das vielas, do fado e dos miradouros à porta. Evite se: viaja com malas enormes ou precisa de silêncio absoluto às 22h.
Sé — Alfama com acesso plano
A zona da Sé (a Catedral de Lisboa) é o segredo prático deste guia: fica na base de Alfama, a 5 minutos a pé da Rua Augusta e da Praça do Comércio, com o elétrico 28 a passar à porta. Tem o ambiente histórico de Alfama, mas chega-se de táxi até à entrada e caminha-se em terreno quase plano até à Baixa.
Os nossos apartamentos "Sé Cathedral" ficam mesmo junto à Catedral — para muitos hóspedes de primeira viagem, é o melhor compromisso entre postal e praticidade.
Fique na Sé se: é a primeira vez em Lisboa e quer história à porta sem subir escadas com as malas.
Baixa e Chiado — no centro de tudo
A Baixa pombalina é a grelha plana entre o Rossio e a Praça do Comércio; o Chiado é a colina elegante ao lado, com a Livraria Bertrand (a livraria mais antiga do mundo em funcionamento), o café A Brasileira e o Teatro São Carlos. Metro, todos os elétricos, tudo a pé. É a zona mais cómoda de Lisboa — e a mais turística, com os preços e o movimento que isso implica: à noite, parte da Baixa esvazia-se, e o comércio vive sobretudo de quem visita.

Temos dois apartamentos entre o Chiado e o Rossio — as camas mais centrais que oferecemos. Escrevemos também um guia da Baixa, Chiado e Príncipe Real com as nossas moradas favoritas.
Fique na Baixa-Chiado se: quer máxima comodidade, terreno plano (raro em Lisboa) e transportes para todo o lado. Evite se: procura vida de bairro — aqui vive-se de dia, não de vizinhança.
Príncipe Real — jardins, famílias e o nosso apartamento maior
O Príncipe Real é o bairro bonito de Lisboa: o jardim com o cedro centenário, o Jardim Botânico ao lado, lojas independentes instaladas em palacetes (a Embaixada é a mais conhecida) e o miradouro de São Pedro de Alcântara a cinco minutos. No topo da colina o terreno é plano, há esplanadas e espaço para as crianças correrem — o que faz dele a nossa recomendação número um para famílias.
É também onde está o nosso apartamento com mais capacidade: até 6 pessoas e com piscina privada — coisa raríssima no centro histórico. Famílias grandes e grupos: é por aqui.
Fique no Príncipe Real se: viaja em família ou em grupo e quer jardins, espaço e restaurantes a pé. Evite se: o orçamento é apertado — é dos bairros mais caros da cidade.
Amoreiras — o bairro que os guias esquecem
As Amoreiras são a nossa "pérola escondida": um bairro residencial verdadeiro à volta do Jardim das Amoreiras, com o reservatório da Mãe d'Água — o ponto final do Aqueduto das Águas Livres — como cenário. Cafés de bairro, o metro do Rato a poucos minutos, o Príncipe Real a um passeio de 15 minutos. Dorme-se em silêncio e paga-se menos do que dentro do postal.
Escrevemos sobre o jardim histórico no coração de Lisboa — é a melhor introdução ao bairro. Os nossos apartamentos "Amoreiras Garden" ficam a dois passos.
Fique nas Amoreiras se: já conhece Lisboa, viaja com tempo, ou simplesmente valoriza dormir em silêncio num bairro de gente real. Evite se: quer sair à rua e estar já no meio dos monumentos — daqui anda-se (bem) uns 20 minutos.
Graça — as melhores vistas da cidade
É um dos bairros mais altos de Lisboa, com dois dos melhores miradouros da cidade — o da Graça e o da Senhora do Monte — e uma vida de bairro genuína à volta do largo. O desafio é a logística: fica-se dependente do elétrico 28 (sempre cheio) ou de subidas a sério.

Os nossos quatro apartamentos “Sra. do Monte Viewpoint” ficam mesmo junto ao miradouro da Senhora do Monte — o pôr do sol fica a dois minutos, de chinelos. Se as vistas são a sua prioridade, comece pelo nosso guia das melhores vistas de Lisboa.
Fique na Graça se: quer acordar com a melhor vista da cidade à porta. Evite se: subir a pé (ou esperar pelo 28) lhe estraga o dia.
Onde ficar em Lisboa pela primeira vez
Primeira visita é sinónimo de maximizar o que se vê a pé e minimizar logística. A nossa receita: Sé ou Baixa-Chiado como base (tudo a pé, transportes à porta), com Alfama como alternativa para quem prefere ambiente a comodidade. Reserve algo com poucos degraus, chegue de dia — a calçada à noite, com malas, não perdoa — e leia antes as nossas 15 coisas a saber antes de visitar Lisboa: poupa-lhe os erros clássicos.
Onde ficar em Lisboa com crianças?
Com crianças, a resposta curta é Príncipe Real — jardins onde correr, terreno plano no topo e o nosso apartamento até 6 pessoas com piscina privada (que para os miúdos é o programa inteiro das férias) — ou as Amoreiras, pelo sossego e pelo jardim à porta. A Baixa também funciona bem com carrinho de bebé (é a única zona realmente plana), mas tem menos "casa" e mais rua. Evitaríamos Alfama com carrinho: escadas e calçada a cada 50 metros.
Nota prática de quem recebe famílias todas as semanas: um apartamento com cozinha muda a viagem — jantar às 19h sem drama, pequeno-almoço ao ritmo deles. E se a família inclui o cão: os nossos 17 apartamentos aceitam animais (com uma pequena taxa de limpeza por dia).
Onde ficar em Lisboa em casal
Para casais, os bairros com mais encanto por metro quadrado são Alfama (fado, miradouros ao fim da tarde, jantar em tasca) e Santos (jantares longos, o rio ao fundo e o Cais do Sodré a 7 minutos, quando a noite pede mais). O Príncipe Real é o mais elegante dos três — esplanadas no jardim, pôr do sol no miradouro de São Pedro de Alcântara. E para acordar com a cidade inteira aos pés, a Graça — os nossos apartamentos ficam mesmo junto ao miradouro da Senhora do Monte, com o melhor pôr do sol de Lisboa a dois minutos a pé.

Que zonas evitar em Lisboa?
Lisboa é das capitais mais seguras da Europa — a questão raramente é segurança; é ruído e distância. O que diríamos a um amigo:
- Bairro Alto e a "Pink Street" (Cais do Sodré): ótimos para sair, maus para dormir — há rua animada até às 2h–3h. Durma ao lado (Chiado, Santos), não em cima.
- Baixa mesmo sobre a Rua Augusta: animação de rua até tarde; prefira as ruas secundárias.
- Intendente e Martim Moniz: zona em transformação, com sítios ótimos de dia; à noite o ambiente é mais cru, e não a recomendamos como primeira base a quem chega de novo.
- Longe demais: poupar 30 € por noite para ficar junto ao aeroporto ou fora do centro custa esse valor em transporte e tempo. Em Lisboa paga-se a localização porque se usa a localização.
Quanto a carteiras: o único incómodo com que é provável cruzar-se são os carteiristas — elétrico 28, Rua Augusta, miradouros cheios. Mochila à frente, telemóvel fora do bolso de trás, e está resolvido.
Apartamento turístico ou hotel: qual escolher?
Depende de como viaja. Um apartamento turístico dá-lhe cozinha, espaço e vida de bairro — ideal para famílias, grupos e estadias de quatro ou mais noites. Um hotel boutique — ou umas suites como as nossas — dá-lhe receção, limpeza diária e alguém a quem perguntar "onde se janta hoje?" — ideal para escapadinhas curtas e para quem quer chegar e não pensar em nada.

Nós fazemos as duas coisas — suites com receção em Santos e apartamentos em cinco bairros — precisamente porque não há resposta única. Veja as duas formas de ficar connosco e escolha pela viagem, não pelo rótulo.
Perguntas frequentes
Vale a pena ficar em Alfama?
Vale — se procura ambiente e não comodidade. Alfama é o bairro mais antigo e mais atmosférico de Lisboa, mas é feito de escadas e calçada: com malas grandes ou carrinho de bebé, considere a zona da Sé, na base do bairro, que dá o mesmo postal com acesso plano.
Alfama e Santos são bairros seguros?
São. Lisboa é das capitais mais seguras da Europa, e Alfama e Santos são bairros residenciais onde se anda tranquilamente à noite. A única precaução real são os carteiristas nos pontos turísticos cheios — elétrico 28, miradouros — como em qualquer capital europeia.
A resposta curta, para quem saltou até aqui
Primeira vez → Sé ou Baixa-Chiado. Ambiente → Alfama ou Santos. Vistas → Graça. Família ou grupo → Príncipe Real (até 6 pessoas). Sossego → Amoreiras. Somos uma casa familiar de Lisboa desde 2014, com suites em Santos e 17 apartamentos em cinco bairros históricos — reserva direta ao melhor preço, com uma garrafa de vinho português e uma tábua de queijos à sua espera, e com quem conhece cada rua deste guia em primeira mão.



